Um página apenas para frases, textos, desabafos, mágoas, dúvidas ou simples palavras...♠

domingo, 28 de novembro de 2010

A bela e o burro

Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.

Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como eu, e, ainda assim, não deixaria de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
Que outra mulher te veria além da sua casca? Você não entende que está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar ao lado dessa pessoa, ouvindo ela respirar quietinha enquanto dorme, linda. E quando você dorme quietinho assim, eu sei que, apesar de eu não abalar sua vida em nada, você precisa de mim.
Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas "quem gostar de mim não serve pra mim".
E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
E você me olha com essa carinha banal de "me espera só mais um pouquinho". Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta. Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.
Bastante assunto. Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.
Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
Também sou convidada para essas festinhas com gente "wanna be" que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.

Tati Bernardi
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sem você

Eu queria te ver só mais uma vez, então te deixaria partir. Queria poder te abraçar por um instante, ser dona do seu sorriso uma vez mais, então você poderia ir sem medo, e a parte de mim que ainda te ama iria também,  por onde você fosse, mas não mais ligada a mim.
Eu iria voltar a viver sem tuas lembranças a me atormentar. Meu destino é longe daqui e eu seguiria para onde pudesse. As músicas não doeriam mais, sonhar com você não seria mais constante. Eu não teria que virar o rosto quando visse uma cena de amor, não procuraria em outros o que só você tem.
Mas não sei se a felicidade viria com isso, não sei se sem amor é sinônimo de sem dor. tenho medo do que minha vida seria sem esse sofrimento. A que eu me agarraria nas noites de tormenta.
É difícil dizer o que poderia ser, o que eu faria sem tudo isso aqui. Pois sinto que toda essa dor é o que ainda me faz levantar todos os dias pela manhã.
E a cicatriz já nem arde mais, embora continue imensa. As vezes, antes de dormir ou enquanto ando pelas avenidas eu mexo nela com o dedo só para ver se continua ali. Continua e dói, e não arde, e me faz lembrar você.

06-11-10

Pricila Langner Ramos
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Chuva

Hoje vai chover, o dia nasceu tão bonito e de repente tudo mudou. Vai chover. E é assim sempre, quando você menos espera, o tempo vira, e começa a chover. O problema é que você não sai de casa sempre com um guarda-chuva então você tem que aprender a se molhar. Existem algumas coisas na vida que você precisa saber, uma delas com certeza é que é preciso se molhar. Você não pode passar todos os dias de chuva em casa, até porque os bares normalmente tem um teto, e na casa dos amigos você encontra tolhas pra se secar. Além do mais, vai dizer que você não gosta do cheiro de terra molhada, e dos pingos de chuva que escorrem pelo seu rosto? Sempre que possível, sai de casa sem um guarda-chuva, é incrível como quando você molha até os ossos, quando se seca, se sente uma pessoa nova.


may continue...


Pricila L. Ramos
15-11-10
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sábado, 18 de setembro de 2010

Anyone but you

Eu procurei em outras bocas o beijo ruim que só você tem, eu fingi que ele era o que eu esperava, sendo que é você, sempre vai ser você. Quando nossa musica toca eu ainda sinto teu abraço apertado, ainda ouço você me chamando de amor. Eu vejo teu sorriso em milhares de rostos, eu espero teu perfume como quem necessita de ar.
Você não vem, nunca mais vira, eu sei. I know! Sei que seu amor nunca foi meu e que tudo era mentira, mas não me apaixonei por seu caráter, eu amei os seus defeitos, o jeito como tentava me fazer sentir unica e por suas promessas falsas. Eu te amei sabendo que você não era digno de amor, eu te amei por te amar, porque naquele momento sua imperfeição era o que eu precisava, o que me completava.
Mas e agora? E esse vazio que você deixou depois de dois anos de espera? Você sempre soube de tudo isso que eu escrevo aqui e mesmo assim deixou que eu me envolvesse, que eu te quisesse. E todas as vezes que disse que viria me ver, e todo os lugares que dizia que iria, eu esperei, eu fui e você nunca estava lá. Então um dia você cumpriu a promessa e foi, mas levou uma garota com você. Minha primeira reação foi raiva, ódio. Sai, beijei milhares em busca do teu gosto. Depois chorei, chorei por você e por mim. No outro dia, veio você me chamando de amor, dizendo que eu estava linda  e eu em odeie por te amar tanto.
Prometi pra mim mesma te esquecer, apaguei nossa foto, as mensagem, deixei de te procurar. Encontrei outros garotos, finjo que gosto deles como gostei de você, mas no fundo eu sei que se você me telefonar, ou apenas pensar em mim eu volto correndo, eu sou tua, sempre fui. Desde aquele janeiro quente que você em prometeu amor eterno sem nem ao menos pegar minha mão. Eu volto, eu vou, basta um pedido, um sorriso.
Meu amor, me escreva uma carta, desenhe corações, me minta só mais uma vez, preciso tanto do teu falso apego nessa hora. Tenho sentido uma carência enorme por tuas mentiras, uma vontade louca dos teus abraços, uma solidão imensa do seu coração vazio.


Pricila Langner Ramos
18/09/2010
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sábado, 28 de agosto de 2010

Fim do (a)gosto

Todo agosto tem cheiro de derrota, um amargo de desanimo, e quando vai assim, chegando ao fim, dói mais ainda. Parece que as festas não são boas o suficiente e que os antigos fantasmas insistem em retornar. O inverno que acaba, faz guardar, juntos com os cobertores todas as angustias, trás aquele prazer involuntário da primavera, ficamos felizes só de imaginar o perfume da flor, o sol queimando a pele, mas enquanto o agosto não termina, tudo parece chegar à nós através de uma cortina de desapego.
Os antigos amores sempre voltam em agosto, os antigos desejos ardem sempre mais forte e nada supera o passado, que nesses dias vira um presente arrebatador. As vezes bate a vontade de se trancar e acordar só quando o feriado nacional passar, só quando a margarida nascer, quando a primeira pitanga cair.
O coração bate apressado, parece que não vai resistir até setembro, mas é assim todo ano, todo agosto tem um gosto amargo, que arde na boca, no peito, na alma.
Dói esperar que tudo passe, me ferem esses dias nublados. Por favor não volte agora, pois sei que seria só porque você também se sente assim em agosto. Também te machuca esse vento com cheiro de orvalho e sal. E sei também que isso tudo passa depois da quarta-feira, então você vai voltar ao normal. Voltaremos. Ai virá o arrependimento e o aperto no peito. Eu deixarei um gosto ruim em sua boa e você vai deixar seu perfume no meu casaco preferido. Não poderei lava-lo e não suportarei usa-lo. Será mais uma coisa que deixarei por sua culpa.
Um cara como você deveria usar um aviso: 'É perigoso, não se aproxime' por que você é demais pra mim, e pra qualquer uma que se atreva a te ter como eu te tive. Em agosto então, você deveria se trancar em casa, não deixar os outros à mercê de seus encantos, seus feitiços, seus olhos que me fascinaram.
Me sinto pequena a seu lado e você nem sabe que me faz sentir assim. Já te disse adeus mil vezes, já cantei canções para que você voltasse, te abracei como você gostava, e você permaneceu frio, mau tocou meus lábios e se foi e seu sei, você só volta daqui um ano, quando o próximo agosto te fizer lembrar de mim.

Pricila Langner Ramos
28/08/2010
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

About

Você tem que aprender a erguer a cabeça, a acreditar de novo, a secar lagrimas, e sorrir de verdade. E você precisa sentir o vento no rosto, e conseguir correr livre. Não se deixe prender, não siga todas as regras. Arrisque. Seja o que você sonhou quando criança, não mate seus sonhos, não livre-se dos pesadelos. Tudo acontece porque você pode superar, tudo te torna mais forte.
Acredite na vida, siga em frente, e deixe as decepções no fundo no baú.

Pricila L. Ramos

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Noite fria

Estou aqui sentada novamente, escrevendo sobre uma vida vazia, tentado sorrir com coisas banais, tentando em vão encontrar alguém para amar.Eu sei que devia sair por ai, conhecer novas pessoas, e todo aquele papo de gente positiva, mas não dá. Me falta ânimo.
O doutor disse que eu não tenho cura. Não há cirurgia pra desapego, ou remédio para solidão. Ele disse que nem se quer posso ser diagnosticada como depressiva.
Procurei nos livros palavras para me preencherem, busquei um anuncio nos classificados, algo que oferecesse companhia, abraço apertado, um sorriso, um casaco de pele falsa. Não encontrei.
É ano de vestibular, tentei me afundar nos livros, mas não posso passar minha horas tentando desvendar o que os logaritmos tem à ver comigo.Ou qual a frase substantiva objetiva direta eu vou dizer quando encontrar o próximo buraco.
No trabalho, tem tudo correndo bem, daquele jeito, vou fazendo tudo mecanicamente, devagar, sorrindo que é preciso, matando o tempo quando é preciso. Mas as vezes até ali dá vontade de jogar tudo para o alto, gritar correr, chorar, falar a verdade.
Tenho sentido muito medo, medo até de acordar pela manha e perceber que o tempo ainda não passou. Eu costumo ficar olhando para o relógio, por horas e horas, só pra ver que um minuto já passou, um a menos, graças a Deus.
As pessoas que me veem não percebem nada disso, meu sorriso mais bonito está sempre pintado no rosto, a maquiagem está sempre em dia, o cabelo cuidadosamente fora do lugar. Tudo cuidadosamente pensado para parecer uma vida perfeita. Tudo uma delicada mentira, um ponta bonita de um iceberg gelado e deformado.
Não sei escrever sobre a beleza da vida, talvez até um dia tenha escrevido, ou um dia aprenda a escrever, mas não hoje. Hoje tudo me dói, e dói tanto que não me permite raciocinar, ou pensar sobre outra coisa.
Esse espaço frio é minha válvula de escape. Escrevo, escrevo, disserto, narro, explico, discuto, falo sobre tudo que sinto. Ninguém precisa ler, ouvir ou aceitar nada disso, mas por pra fora é tão necessário.
Não sei como se termina um texto que fala sobre tristeza, parece que sempre falta algo para ser escrito e ao mesmo tempo dá vontade de apagar tudo e volta a fingir felicidade como antes.
O dia que eu souber, termino esse texto...


Pricila Langner Ramos
13/08/2010
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domingo, 18 de julho de 2010

Sala verde

De longe eu observava, como sempre fiz.
Eu sempre via gente sorrindo, mas nenhum tinha brilho no olhar. Eu toquei em roupas de marca, vestidos de princesa, mas nenhum jeans dizia quem eles eram de verdade.
Todas aquelas pessoas dançavam alucinadamente, com bebidas nas mãos e cigarros nos lábios, sem saber que era tão pura a chuva lá fora.
E era pura a chuva, e o vento era gélido e tinha gosto de coisas boas.
E o sorriso lá fora, era verdadeiro, e o brilho iluminava a cidade azul. As pessoas que andavam lá fora vestiam tecidos leves, feitos de suspiros, e tomavam um liquido transparente que desafogava a alma.
E todos era simples, e tranqüilos, e felizes, e amavam. E o amor não machucava, não feria, não fazia sangrar.
Os beijos eram molhados, e aqueciam o espírito, e davam um colorido novo a vida.
E a vida era bela, e sempre foi e se Deus permitir, ela será pra sempre. Sempre há problemas, sempre tem gente  que te empurra pra baixo, mas a vida supera, o tempo supera, a gente supera.

Pricila Langner Ramos
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domingo, 11 de julho de 2010

Aos meu amigos


Não tem como não amá-los, como não pensar na saudade que vai ser sentida, não pensar no vazio que vai ficar.
Não existe palavra para descrever-los, para ao menos tentar dizer o que move toda essa alegria. Eu agora olho para trás e parece tão pouco o tempo que passei ao lado de vocês.
Todas as risadas, os namoros, as brincadeiras fora de hora, o telefone que tocou no meio da prova, a malícia vista numa simples formula de química, o sorriso mais alegre da noite, a risada mais espontânea. As colas coletivas, os trabalhos no 'grande grupo' , os temas não feitos, as discussões. Tudo isso agora tem um gosto de nostalgia.
As vezes eu sento ali na minha classe, e olho para cada um de vocês, rosto por rosto, e me vem uma emoção tão grande de pensar que foi e é com vocês que eu vivo o melhor ano da minha vida.
Nunca tive uma amizade forte com todos vocês, mas levo um pedacinho de cada um comigo. A determinação de uns, a teimosia de outros. A raça, a alegria, a espontaneidade, a sinceridade, a jeito meigo, o amor, o jeito de sorrir, o jeito de calar, o jeito de argumentar. Aprendi tanto com vocês que acredito que sou uma pessoa muito melhor depois que os conheci.
Nesse ano começamos tão unidos, o sentimento 'terceirão' se apossou de nós de uma maneira tão alucinante. Podemos não ser todos melhores amigos, nos defendemos de uma maneira inacreditável. Não é possível nos ofender ou nos depreciar na frente de qualquer um de nós, já saltamos ferozmente bradando que somos melhores, temos nossos defeitos, há sempre exceções, mas estudamos, corremos atrás, fazemos valer nosso status de formando.
Eu sinceramente não tenho vontade de matar aula, estar com vocês me alegra a noite, me faz feliz demais para querer outra coisa.
Sinto que vou chorar tanto quando terei que me despedir de vocês. E meu abraço será tão forte em cada um, e a saudade vai ser tão grande. Mas tenho a certeza que tudo isso só será assim por que nossos momentos foram realmente bons.

O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos, o sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos e afeto em frente ao mar.♪♪

Pra vocês, 302, por todos os momentos de alegrias juntos.

Pricila Langner Ramos
 10/07/10
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sábado, 19 de junho de 2010

Pra sempre

- 'Eu só queria entender. Entender por que o teu sorriso não me faz mais feliz, por que choro toda vez que penso em nós, o maldito por que de tudo que aconteceu. E principalmente o por que da pessoa que eu mais confiei na vida, ter feito a mesma coisa das pessoas que eu mais odiei na mesma maldita vida.
Meu erro foi e sempre vai ser só esperar entender, esperar a explicação, esperar e esperar, sempre por algo que já não faz mais sentido pra ninguém, só pra mim.' - foi o que mandei.
- O que voce entendeu disso tudo? - ele perguntou.
- Até hoje não entendi. - respondi.
- Eu acho que você ta correndo atrás - de novo.
- Acho que até to, mas simplesmente por isso, eu preciso entender. Eu preciso saber por que minha melhor amiga me mentiu, me escondeu coisas, por que ela mudou de uma hora pra outra. Eu preciso saber se ela já foi aquilo que eu achei que ela era, se ela não foi uma mentira sempre. - admiti, com lágrimas nos olhos.
- Ela já disse: ela amadureceu.O  que é muito pouco relevante pra mim. - respondeu calmamente.
- Amadurecer machuca os outros tanto assim?
- Eu acho que os fins não justificam os meios...
- Eu acho que nada foi de verdade, e isso dói tanto.
- Ué,como ela disse, às vezes é preciso se conformar e isso é bom pra voce, principalmente, pra você!
- Pra mim nunca é bom se conformar mas vou fazer isso, só dessa vez.


Conversa verídica, com um amigo verídico, sobre sentimentos verídicos e doloridos, que ferem de verdade e deixam cicatrizes pra sempre. Alias, esse é o único pra sempre em que acredito: as cicatrizes ficam pra sempre.


Pricila Langner Ramos
19/06/10
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passa


A medida que os dias passam, as feridas param de sangrar e cicatrizam. O gosto doce da saudade deixa de ser enjoativo e se torna familiar. As lágrimas secam e a alma impulsiona a seguir em frente. 
Mais um dia. Talvez amanheça chovendo, mas tudo bem, a agua será pura e vai lim
 
par o espírito e levar embora o que não faz bem.
Que o dia nasça, mais uma vez, e que a partir de amanhã o sorriso seja sincero de novo.


Pricila Langner Ramos
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sábado, 29 de maio de 2010

Trecho de textos

Eu quero alguém que tenha coragem. E saiba amar coisas simples e mulheres loucas. Quero alguém que acredite em realidade. Que esteja farto de sonhos perfeitos e Romeu e Julieta. Quero alguém que entenda o que é TPM. Que me faça rir. E que minta pouco. Quero alguém que goste de ler. Que me dê presentes fora de época. E que goste de rap.
Quero um amor que me compre biscoitos divertidos, cremes da Lancome e duas alianças. Que tenha uma casa. Com guarda-roupa. TV grande. Banheira de pé. Jardim com laguinho. Gato. Cachorro. E uma cama de casal. ENORME.

(se for cheiroso e beijar gostoso, esqueça tudo)
ps: e se for você, eu me contento com um banho de mangueira (no lugar da banheira) e creme de aveia Davene." 


Fernanda Mello
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Lack some

As luzes se apagam, pouco a pouco o corpo é tomado por aquela sensação de estupor , os olhos se enchem de agua cada vez mais, o sorriso é inútil.
O coração bate descompassado. Rápido demais, lento demais. Incessante demais. Ele bate, se só isso já é dolorido demais. O barulho, o suor, o perfume, tudo é tão alucinante, tão enlouquecedor.
Às vezes, tarde da noite, entre um sonho ruim e um pesadelo, eu penso em tudo que já vivi. Normalmente o pesadelo vem depois disso.
As nuvens negras, que a tanto tempo habitam os céus dos meus sonhos, não trazem chuvas de águas puras. O peso nos ombros é maior do que suporto. As dores de cabeça estão tão constantes, que tenho medo de um dia deixar de acordar.
Tenho me sentido só, e é um só tão doído, tão cheio de mágoa. Ultimamente as pessoas tem gostado de me machucar.
As pedras, os espinhos, os abismos, as faltas que tenho encontrado tem me levado ao extremo da angústia.
Me nego a chora pois nunca gostei do sentimento de pena vindo dos outros. Mas meus olhos tem ficado encharcados com tanta frequência que está sendo muito difícil  manter o auto-controle.
Sinto tanta saudade, e ela forma um buraco tão grande em mim que sinceramente não sei como amenizá-lo. Sinto falta das tardes de calor com o ventilador no rosto e dos cobertores quentes nos dias de frio, falta dos filmes de terror, das pipocas sem sal, do abraço apertado e da palavra amiga. Falta, pura e simples falta.
Me pergunto todo dia, se os erros não foram meus. Não foram, eu sei. Mas não me restam forças, estou tão esgotada que baixei a guarda, despi a máscara, guardei o escudo.
Sou eu, de peito aberto, coração partido, uma vez mais. Estou fraca, frágil, despedaçada. Não tenho muita coisa e com o que tenho, não posso me reconstruir.
Decidi por largar tudo, começar de novo, em outro lugar, com outros ares, outros rostos, novo coração, novas esperanças. Agora falta pouco, quase duzentos e dez dias, e amanhã faltará um a menos.
Um a menos, para mim, já é muita coisa.

Pricila Langner Ramos
26/05/10
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Loneliness

Cada lufada de vento que entra pelos meus pulmões dói como agulhas afiadas pois insistem em me lembrar que a vida é triste, que ela não é justa e que machuca.
Fazia tanto tempo que a solidão não me abalava assim. Me sinto impotente, sem direção. Sinto que roubaram minha vida: as festas, os amigos, o ânimo, o amor.
Tenho tanta vontade de reconstruir, e tenho tanto medo  de não dar certo. De novo.
Ultimamente poupo minhas forças, rio menos, amo menos, sou menos. Não por falar de vontade, por falta de uma razão.

Pricila Langner Ramos
27/05/10
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Sem mais

Via- se de longe, até seu sorriso era triste. Ela que antes era radiante deixou tudo para trás.
Aparentemente tinha tudo, amigos, trabalho, família, felicidade. Mas ela não era completa, nunca se sentiu assim.
Seu batom deixou de ser usado, o piercing ficou na gaveta, o rimel nunca mais foi borrado. Os garotos deixaram de ser beijados, os cadernos foram ficando esquecidos, a música preferida era a mesma  à semanas.
Quem se perguntava o que tinha acontecido  para ela ficar de repente assim, nunca teve resposta.
Nas horas vagas ela ficava deitada na cama, procurando em vão na memória onde foi que se perdeu, aonde ficaram seus sonhos e quando deixou de ser quem era.
Ela não sentia felicidade, amor ou raiva. Era só tristeza, desapego, carência. E nada disso tinha antídoto ou anestesia.
Se a decisão que tomou foi a melhor não se sabe, e nunca irão saber, pois na vida não há espaço para suposições.
Ela só deixou de respirar, pra sempre.

Pricila Langner Ramos
27/05/10
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domingo, 23 de maio de 2010

Irrelevante

Quando estou assim, só, nesses momentos em que minha única companhia é o frio que arrepia minha pela, vejo que ainda sei me virar sozinha, ainda sei sorrir sem motivo. Até gosto de amores, amassos ou carinhos, mas isso não é tão essencial quanto eu achava que era.
Sei os telefones de cor, as músicas que ouço são tão tristes, mas mesmo assim sigo em frente, deixando a poeira e a névoa para trás.
Olho meu rosto no espelho e reconheço todas as marcas, aceito todas as trilhas feitas pelas lágrimas.
Hoje eu ouço meu coração e o deixo falar, chorar, gritar de dor. Não me importo, isso dói, mas a dor também sempre foi minha companheira, ela sempre esteve aqui, sempre.
Percebo que tenho me afastado de muitas pessoas que antes me eram essenciais, hoje não mais. Hoje eu me basto, e só.
O antigo vazio foi preenchido por pedaços de nada, que foram aos poucos foram tomando forma, criando raízes. É isso que agora trago : nada. Tudo que vier de fora é bem vindo, menos antigas decepções. Meus antídotos são fortes, mas os vírus se tornam resistentes.
Sou pedaços partidos, colados e selados. Eles podem voltar a se quebrar mas ai já saberei como remontá-los ou pelo menos sei por onde começar.
Se você quer saber realmente quem sou, olhe o céu. Vê aquela nuvem que se modifica, cai na terra, volta a se transformar, retorna ao céu e encobre o sol, faz a porta tremer com a força de seu som, que brinca com a lua, se desfaz novamente como algodão, mas nunca muda quem é. Vê, aquela sou eu. Mudo constantemente, mas não deixo de ser quem sou, entende?
Mas não queira saber sobre minha vida, pois te direi muita para poderes falar, mas pouco para que entendas de verdade. E se olhares para dentro de si, perceberás também que você só tem o nada, e sabe muito pouco do seu 'eu'.

Pricila Langner Ramos
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Parada


Eu vivo no banheiro da estação molhando a nuca quando está calor. No meio de centenas de esperas que não são minhas mas me esquentam. A moça que vende bilhetes é minha mãe. O cara da catraca meu amor. Sempre muda o cara da catraca. Mas eles se parecem justamente porque sempre mudam e porque são apenas o cara da catraca. Meu pai vende coisas coloridas de brincar e de sujar a língua aqui em frente e as crianças se distraem e sobrevivem. Meus amigos são os do vagão de antes e de depois. Os mais amigos, agora, são sempre os que acabaram de chegar. Tem gente feia, gente bonita, gente assustada, gente com sono, gente no meio de gente. Eu só olho e tento tocar nessas sensações, mas nunca sou exatamente nenhuma delas porque há muitos anos eu não tinha tamanho para ser e assim acostumei.
Eu olho sempre pro relógio gigante que fica bem no centro do meu quarto. E sei que todo dia ele passa, sempre às cinco da tarde. O trem pra sempre. Eu corro junto, ao lado, por um tempo, mas canso já morrendo de rir. E fico feliz que não foi dessa vez. E fico feliz de ter chegado perto. Já senti como é o cheiro de dentro. Já experimentei sentar na janelinha com ele parado. Já me imaginei embaixo, esmagada. Em cima, surfando antes de pegar fogo. Sei todos os ângulos de ir, mas vivo no lugar de quem fica.
Estou na estação há tanto tempo. E sempre tem gente chegando e indo. E sempre tem amor e bala e dinheiro e cama e água e fins de tarde bonitos e brinquedos e catracas com a segurança de uma novidade de sempre. Em alguns momentos fica o equilíbrio terrível de nunca ir. Fica a dor terrível de todo mundo que foi. Fica a ansiedade terrível de todo mundo que tem pra chegar. Agora. Agora. A cada volta de uma piscada eu tenho minha esperança renovada. Mas nenhum desses silêncios chega perto do som que é viver ouvindo o mundo se locomovendo enquanto só tento enxergar de olhos bem abertos sem me mexer. Estar no centro do barulho nunca foi realmente uma solidão. A troca é tão bonita porque sorrio achando todos tão corajosos com seus ternos e pastas e pressas e chegadas e “que mais”. E eles sorriem de volta, me achando corajosa também em ficar. E só olhar. E poder amar esse trecho de vida deles ainda mais do que eles próprios que nem se percebem em trechos.
Eu vivo na estação porque peguei carinho pelas placas e sujeiras e as faxineiras cedinho tirando os estragos do mundo na minha casa de passagem. Acho tão bonita a sensação de estar no único lugar onde se pode estar com todos e esperar por mais um trecho de todos. Sei que não escolho nada, não sigo com ninguém, não conheço outras idades e lugares e gastrites e ventos.
Eu sou uma estação, é isso. Assim não dói além porque eu sei, desde o começo, que sou passagem. Então, vão, mas logo apita de novo. E é sempre movimentado, mesmo quando apagam as luzes e a vida dos outros descansam da minha parada. Existe o movimento que fica atrasado no ar e durmo embalada por tanta coisa que quase parece coragem.
Até que hoje, não sei se porque enjoei dessa casa da infância, não sei se porque às vezes o amor é mesmo mais forte que mil anos de segurança. Eu pisei tremendo na escada e o homem da catraca era tão diferente de todo mundo e, pela primeira vez, as placas e mulheres do caixa e bilhetes e pessoas e brinquedos coloridos e apitos e fins de tarde e moças da limpeza. Ninguém tentou me agarrar porque era como se o mundo dissesse “acho que são cinco da tarde e uma hora você precisa ser mulher”. E eu pedi socorro. Eu não sei sair daqui mas quero ir com você. Eu tenho cinco anos de idade mas quero ir com você. Tudo me dói tanto e eu tenho tanto medo mas tudo bem, vamos lá. Na próxima parada só me lembra que é bom eu fazer xixi e comer alguma coisa porque tô te achando tão bonito que talvez eu esqueça.

Tati Bernardi
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Felicidade momentania

Tenho me sentido legal. Esqueci os problemas, meu novos amigos me fazem rir, alguns não são nem tão novos assim, mas a amizade é nova. Minha música preferida é daquelas dançantes, que não deixam a tristeza invadir.
Os filmes e as series que assisto são tão divertidas. Tenho até contado coisas banais à minha mãe.
A vida está se ajeitando, assim, devargarzinho, como um flor que desabrocha depois de uma noite de tempestade.
Me despi dos medos de outrora, resolvi confiar na vida, no destino, em Deus.
Criei coragem de por a cara á tapa de novo. Parei de machucar os outros por prazer. Deixei de dizer verdades desnecessárias, até pensei antes de falar, esses dias.
Abracei o frio, convidei-o à entrar. Sorri pros pingos de chuva. Olhei no espelho e não briguei com meus cabelos. Deixei de lado o batom rosa grape e tenho passado só um brilho nos lábios. Tenho me permitido até sorrir para estranhos.
O coração até bate forte quando vê uma foto dele, mas eu to tentando aceitar o sentimento, deixar ele me  inundar e quem sabe, percebendo que não tem mais resistência, ele vá embora, sem machucar mais.
Tenho vestido o uniforme do colégio e arrumado os materiais com um certo prazer, tirando os dias em que a matemática insiste em aparecer.
Às vezes, enquanto limpo a casa, ligo o som bem alto e finjo que a vassoura é um microfone, é coisa de criança, eu sei, mas ultimamente eu tenho me permitido ser criança.
Tenho sido feliz, sei que talvez isso não dure, mas estar tendo dias assim me renova a vontade de viver, de batalhar, de sonhar, de acreditar e quem sabe um dia até amar de novo.

Pricila Langner Ramos
26-04-2010
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sábado, 24 de abril de 2010

Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?
Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti.
Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.


( Extraído do livro Caio Fernando Abreu-  Caio 3D, O Essencial da Década de 1980, p.186)
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sábado, 17 de abril de 2010

Um ultimo texto sobre aqueles amigos

Leia e perceba se é você ou não.
Sim, foi com você que eu ri pelas maiores besteiras ou por aquele comentário sem graça, ou por aquela menina ridícula ou por um fato qualquer. Porém, foi com você também que chorei minhas frustrações amorosas e jurei mil vezes esquece-lo. Talvez foi você que, com os dedos quentes, limpou minhas lágrimas e disse que ele não valia a maquiagem borrada.
Será que foi para você que emprestei meus livros preferidos? Foi você que dormiu do meu lado e segurou a minha mão? Foi pra você que contei meus segredos mais sórdidos e meus sonhos mais bobos?
Foi você que eu chamei de melhor amiga e fiz planos para faculdade, morar junto e ter dois cachorros? Você se lembra dos nome? Eu me lembro.
Eu sempre me lembro, fui eu sempre quem se lembrou e fui eu sempre que se decepcionou.
Já enfrentei desconfiança, falsidade, mentira, desleixo, total esquecimento.
As vezes, enquanto choro a noite, eu penso se não mereço algo bom. Um amor tranquilo ou uma melhor amiga eterna.
Já começo a questionar se o problema não sou eu, se eu não sou frágil demais, vulnerável ao extremo.
Mas dessa vez, vou aprender a enxugar minhas próprias lágrimas, à ter as mãos livres e os flancos vazios. Irei aprender a andar só e a me sentir completa com isso. Vou me concentrar em objetivos e correr para alcança-los, manterei minha mente ocupada para que não sofra com a solidão. Serei melhor, pintarei um sorriso no rosto e implantarei um brilho no olhar.
Ao me ver você vai pensar que sou feliz, mas não posso prometer que, naqueles segundos que antecedem a anestesia do sono, eu não banhe meu travesseiro com salgadas lágrimas.

Pricila Langner Ramos
17-04-2010
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